Conselho de Mobilidade alerta para ausência de formação

Transporte sobre trilhos foi o tema principal da 6ª reunião do Cons. Assessor de Transporte e Mobilidade Urbana, do Cons. Tecnológico do SEESP

O encontro ocorreu na tarde de sexta-feira (27/11), no auditório do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), no bairro Bela Vista, São Paulo (SP). O Isitec, que também foi pauta da reunião, oferece cursos de capacitação e especialização para incrementar esse modal. Especialista convidado falou sobre a falta de capacitação técnica nesse tipo de transporte.

 

O coordenador do Conselho Assessor de Mobilidade, o professor e engenheiro Jurandir Fernandes fez uma fala inicial saudando a todos os presentes e logo passou a palavra para o vice-presidente do sindicato, João Paulo Dutra, representando Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente do SEESP, instituição que é mantenedora do Isitec.

“Temos que fortalecer nossos programas voltados para o mercado de trabalho, que é missão do sindicato. É fundamental atacar e elevar o nível de desenvolvimento para não deixar a mola cair”, declarou Dutra.

Edilson Reis, diretor do SEESP, falou da importância da atuação de todos os conselhos assessores, citando todos, e lembrou que em breve haverá reunião de balanço sobre as atividades dos conselhos assessores que compõem o Conselho Tecnológico.

Saulo Krichanã Rodrigues, diretor geral do Isitec, fez uma apresentação sobre a proposta da instituição, do sistema de seleção para a graduação em Engenharia de Inovação, e dos planos para 2016, que, entre outros pontos, é investir em Ensino a Distância. Entre os setores beneficiados com os cursos, está o de transporte e mobilidade urbana. Atualmente existem 5 mil empresas que oferecem essa modalidade de ensino.

“Temos que montar cursos diferentes, para atender as demandas do mercado, e para isso vamos nos associar a empresas parceiras interessadas em investir em formação qualificada, na área da engenharia”, destacou Krichanã. Entre outras coisas, ele adiantou que está sendo elaborada uma plataforma digital para atender a demanda do ensino a distância em todo o País.

Uma dessas demandas foi colocada pelo secretário Dario Rais Lopes, da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana (Semob), ligada ao Ministério das Cidades. Trata-se da carência de profissionais com especialização em transporte sobre trilhos.

“Temos um problema com a formação atual dos profissionais, pouquíssimos deles com mais de 30 anos de idade. As escolas de engenharia civil abandonaram a formação em ferrovia”, lamentou Dario Lopes, lembrando que a Semob tem uma carteira de R$ 153 bilhões para administrar, sendo 70% em transporte sobre trilhos. “Essa carteira está sendo acompanhada por um grupo de profissionais que não tem a formação que precisamos”, completou o especialista, que assumiu o cargo em janeiro último.

De acordo com o secretário, a Semob tem cerca de 70 profissionais, sendo 30 analistas de infraestrutura – sendo engenheiros e arquitetos concursados – cuja responsabilidade é enquadrar projetos de entes federados (estados e municípios) para concorrer aos recursos federais. “Faz-se o enquadramento e depois acompanha o empreendimento. E temos toda a responsabilidade sobre os recursos públicos alocados”, explicou, acrescentando que para poder atender a demanda que é “muito maior do que se imagina” é fundamental “ter algo mais consistente na formação”, daí a necessidade em estruturar um curso nesse segmento.

Ao final, Lopes respondeu as questões técnicas feitas pelo corpo profissional presente e falou da importância em investir nesse modal, que tem grande potencial. “O que temos é um volume significativo de techos abandonados com trilhos que não são ruins, que têm capacidade de carga maior e dariam para ser utilizados no resgate do serviço urbano”.

Ele observou que há um descompasso do mercado: “Você vai encontrar muita gente da minha faixa etária, dos 60 anos para cima que têm capacidade técnica de instalação do modal. Mas, se você pegar um jovem, que tem maior preparo físico para desempenhar esse tipo de serviço, que precisa andar pela via, checar se há vazamento nos trilhos, não tem conhecimento. Ou seja, o conhecimento que nós temos não combina com o preparo físico que é necessário. E quem tem preparo físico não tem a formação“.

Fernando Palmezan Neto, representante do SEESP no conselho do Isitec, também participou do encontro e lembrou que “se tem um ministério que está fazendo algo no ramo da engenharia, é o ministério das Cidades”. Ele aproveitou a ocasião para convidar a todos a participarem do 3º Encontro Nacional da CNTU, em 10 dezembro próximo, quando haverá a cerimônia do Prêmio Personalidade Profissional 2015 e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, será um dos agraciados.

Depois de encerrada a reunião, o grupo visitou as instalações do Isitec e conversou com os estudantes.

 

Deborah Moreira
Imprensa SEESP