Engenharia dá adeus a Laerte Mathias

A FNE e a engenharia brasileira perderam, no dia 12 de outubro último, aos 54 anos de idade, o sindicalista Laerte Conceição Mathias de Oliveira, em acidente automobilístico no interior paulista. Atuante em várias frentes de luta e vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (SEESP), Oliveira, que era casado e tinha dois filhos, conquistou ao longo de tantos anos de militância sindical o respeito e a admiração dos que estiveram ao seu lado em diversos movimentos. A sua última participação ativa foi a 5ª Conferência Estadual das Cidades – realizada entre 26 e 28 de setembro, na Capital paulista para a qual deu contribuição fundamental. “Laerte era um grande companheiro e um quadro fundamental para o nosso sindicato. É uma perda enorme, que deixa muita saudade, como dirigente e, principalmente, como um grande amigo. Sua lembrança estará sempre conosco”, afirma o presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, também presidente do sindicato.

Desde 2004, era membro do Conselho Nacional das Cidades representando a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) no segmento dos trabalhadores e integrava o Comitê Técnico Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades e a Executiva Nacional no processo de organização da Conferência Nacional das Cidades. Em 2012, participou da delegação da CNTU na Rio + 20. Em julho passado, participou de reunião com os ministros Miriam Belchior (Planejamento, Orçamento e Gestão) e Aguinaldo Silva (Cidades), em Brasília, para discutir o Pacto pela Mobilidade Urbana. Oliveira teve papel fundamental na elaboração e aprovação da Lei nº 12.587, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em janeiro de 2012, que instituiu as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana.

Transporte como direito social

Atualmente, se mostrava confiante no avanço das discussões para que o transporte público fosse considerado como direito social, “mas não qualquer transporte, mas o de qualidade, pontualidade e não poluente”, observava. Defendia, ainda, um sistema de informação em tempo real para os usuários, assim como o controle social para que todos pudessem acompanhar toda parte de planilhas e planejamento de projetos. “É para que a sociedade fiscalize a gestão pública da área de mobilidade urbana, por meio da implantação de um Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano, que está em discussão na 5ª Conferência Nacional das Cidades.”

Outra frente de luta atual de Oliveira era o Fórum Suprapartidário por uma São Paulo Saudável e Sustentável criado para tratar de assuntos pertinentes à renovação do Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade paulista. O órgão, desde 2012, vem realizando importantes e representativos ciclos de debates sobre o tema. Engajado estava, também, no movimento que vem unificando os profissionais da Prefeitura Municipal de São Paulo por valorização com melhores salários e condições de trabalho. Veja aqui a homenagem do Fórum ao companheiro Laerte.

Engenheiro de produção mecânica graduado pela Universidade Metodista de Piracicaba em 1981 e pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Fundacentro e Escola de Engenharia Civil de Piracicaba no mesmo ano, Oliveira trabalhou por mais de 25 anos no Metrô de São Paulo. Ele foi fundador da Associação dos Engenheiros e Arquitetos dessa companhia em 1990 e presidente na gestão 2004-2006, tendo implementado a Semana de Tecnologia Metroviária e o primeiro grupo de delegados sindicais no Metrô em 1996. Coordenou o Fórum das Associações de Engenheiros das Empresas Estatais e a Divisão de Engenharia de Segurança no Instituto de Engenharia e presidiu a Associação Paulista de Engenheiros de Segurança do Trabalho. Foi ainda fundador e presidente da ONG ambientalista Apreservita, em Fartura e região.

Oliveira militava no movimento sindical dos engenheiros desde a década de 1990. No SEESP, ocupou cargos de Diretoria e Conselho Fiscal. Desenvolveu o Teleacidente e o projeto Seesmt (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho). Representou a entidade na FNE e no Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Por Rosângela Ribeiro Gil e Rita Casaro/Imprensa Seesp