Novo engenheiro deve ser multidisciplinar, dinâmico e criativo

Professora Denise Tallarico, palestrante do ECO SP, destaca importância da inovação e da sustentabilidade na formação dos profissionais

  Professora Denise Tallarico,
  palestrante do ECO SP

“Os engenheiros devem ser capazes de visualizar novas oportunidades para a inovação e não mais simplesmente contribuir para o aumento de produtividade.” A afirmação é da professora Denise Tallarico, palestrante sobre “A próxima geração de engenheiros: Inovação e sustentabilidade“, durante o Encontro Ambiental São Paulo (ECO SP), realizado pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (SEESP) e pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) nos dias 12 e 13 de novembro, em São Paulo.

Denise explica que atualmente são cobrados dos engenheiros novos conceitos, tecnologias e soluções da engenharia, geralmente desenvolvidos por equipes que trabalham em sintonia global além das fronteiras geográficas. Existe também uma maior demanda de projetos que preservem o meio ambiente e que sejam eficientes nas suas aplicações. “Hoje em dia o dinamismo do mercado exige um engenheiro que seja capaz de se modular às necessidades nacionais, regionais e/ou mundiais e que se adapte rápida e objetivamente às demandas.”

Para que isso aconteça, de acordo com a professora, é decisivo que esse profissional seja protagonista da própria condição intelectual, sendo capaz de aprender de forma autônoma e reestruturar os conceitos que já são de domínio próprio. Isso ocorre justamente em função das novas informações propostas pela pesquisa científica, em constante transformação. “Como as soluções modernas são cada vez mais multidisciplinares, é exigido desse novo profissional uma capacidade de percepção e domínio interdisciplinar. Dessa forma, o papel das escolas de engenharia é atender rapidamente a essas demandas, apresentando à sociedade um novo engenheiro, multidisciplinar, dinâmico e criativo”, afirma.

Formação

A professora destaca ainda que alguns cursos (e essa é uma tendência mundial) estão repensando a maneira de ensinar engenharia para criar um espírito critico nos seus alunos, baseado na inovação e na sustentabilidade. Além disso, estão adaptando o currículo para que os alunos possam ter disciplinas que os tornem preparados para os novos desafios tecnológicos. “No Brasil, essas mudanças ainda são tímidas e localizadas, não acompanhando o ritmo ditado pelo mercado mundial. Dessa forma, é preciso criar novos métodos de ensino e currículos mais arrojados a fim de preparar os engenheiros para os novos desafios”, reforça.

Denise ressalta o trabalho do SEESP e do ISITEC na criação de um novo curso que pretende servir de modelo para todos os cursos de engenharia. “A ideia é implementar tannto um currículo inovador quanto uma atitude inovadora de ensino, com uma forte articulação entre os professores”, afirma.

Os conhecimentos sobre inovação são fundamentais na carreira do engenheiro. Denise chama atenção para o fato de que inovação não é simplesmente criar algo novo, é criar algo com valor agregado. Pode ser um produto, um processo, uma nova experiência ou um novo modo de agir. “Algo inovador é algo que as pessoas ou as empresas se dispõem a adquirir porque, em algum aspecto, melhoram suas vidas.” A inovação exige que se lide bem com a incerteza e as organizações inovadoras têm condições muito melhores de crescer em um mundo em permanente transformação.

Brasil sustentável

Segundo a professora, para que o Brasil possa ter um crescimento industrial elevado e sustentável, gerando empregos de qualidade para sua população, precisa equacionar de vez a questão da educação, a única que pode produzir cidadãos habilitados a participarem como protagonistas do processo de distribuição de riqueza.

“Daí a importância dos engenheiros, pois resumem na sua formação os saberes do que fazer e como fazer, indispensáveis ao processo de desenvolvimento de uma sociedade industrial moderna. O engenheiro moderno precisa ser educado para se adaptar às mudanças nas necessidades nacionais e mundiais; caso contrário, será uma commodity ao invés de ser um criador de riquezas”, destaca.

Além disso, Denise acrescenta que esse novo engenheiro deverá ter uma compreensão global dos processos industriais e atuar na adequação das soluções técnicas aos vínculos das novas legislações ambientais. “Deverá agir com ética, cidadania, criatividade, empreendedorismo, visão estratégica, iniciativa e liderança”, enumera.

A professora também reforça que entre as preocupações do engenheiro devem estar: evitar dano ambiental, a ocupação dos espaços urbano e rural, a mobilidade de pessoas e cargas, o uso e reciclagem de materiais, a gestão de recursos naturais e resíduos industriais, a gestão das águas e esgotos, o uso eficiente de energia e materiais e a renovação das infraestruturas dos sistemas.

Denise acredita que eventos como ECO SP são importantes para abrir fóruns de discussão sobre desenvolvimento sustentável, inovação e tecnologia, forncendo um espaço de reflexão catalizadora de mudanças para as empresas, para os professores/coordenadores de cursos de engenharia e para os próprios engenheiros a fim de transformar essas discussões em ações. “Falar sobre inovação e sustentabilidade é uma necessidade, uma resposta às demandas nacionais de criação de mão de obra diferenciada, que possa dar suporte às políticas de incentivo à inovação, prioridade estratégica para o desenvolvimento do País”, conclui.

Saiba mais sobre o Encontro Ambiental de São Paulo (ECO SP)