Seis em cada dez startups acabam fechando as portas

Seis em cada dez startups acabam fechando as portas

 

Fonte: Jornal O TEMPO

Desentendimento entre sócios é maior causa

SÃO PAULO. O sonho rotineiro de uma empresa de tecnologia novata é obter dinheiro de investidores e, em pouco tempo, virar um caso de sucesso. Porém, para a maioria das startups brasileiras, a realidade mais comum é o fracasso. Levantamento da reportagem com as três principais aceleradoras de startups do país nos anos de 2012 e 2013 (ACE, 21212 e Wayra, especializadas em investir e ajudar negócios iniciantes) mostra que, passado esse período, a maior parte das companhias selecionadas para receber investimentos não obteve sucesso.

Das 60 apoiadas, 61,5% delas (37) fecharam ou investidores abriram mão de suas participações por não verem chance de retorno. Entre as empresas de modo geral, a taxa de mortalidade é de 33% em dois anos, segundo o Sebrae – a instituição não tem avaliações para períodos de tempo maiores. Um índice de fracasso nesse nível é normal para o mercado das startups de tecnologia, de acordo com Gilberto Sarfati, professor de Administração da FGV-SP. Um dos motivos é o fato de essas empresas estarem envolvidas em um cenário de alto risco e incerteza. Isso porque, em geral, os modelos de negócios propostos pelas startups ainda não existem, e é muito comum que eles simplesmente não sejam tão bem recebidos pelo mercado comostam em dezenas de empresas, sabendo que a maioria vai fechar e que as que tiver se espera. Por isso, investidores apoem sucesso irão compensar o dinheiro que foi perdido.

Para tentar diminuir as chances de erro, investidores experientes só colocam dinheiro em uma startup após a avaliação de centenas de projetos e currículos. “A mortalidade nunca nos preocupou. A preocupação está em encontrar aqueles que conseguem crescer acima da média de forma constante”, diz Pedro Waengertner, da ACE.

“Se a gente investe em dez empresas em um ano, sabemos que, em cada uma dessas, teremos uma campeã, outras terão um resultado razoável, e outras não darão certo”, afirma Renato Valente, diretor da Wayra (da Telefónica).

Do levantamento realizado pela reportagem, apenas sete das 60 empresas foram vendidas, três delas para grandes empresas – principal objetivo do investidor. Na hora de explicar os motivos que levam ao fechamento das startups, os responsáveis pelas aceleradoras foram unânimes: o principal culpado é o desentendimento entre os sócios. Rafael Duton, sócio da 21212, diz que em sua aceleradora essa foi a causa de 60% dos fechamentos de startups. “A maioria não morre, elas se suicidam”, completa.

EXEMPLOS

Fracasso pode servir de lição

SÃO PAULO. Ter passado pela experiência de criar uma startup que não deu certo impulsionou a carreira de empreendedores ouvidos pela reportagem. Na Cabify, dona de aplicativo para chamada de motoristas particulares, o diretor para o Brasil, Daniel Bedoya, 27, e Rogério Guimarães, 33, diretor da área de novos negócios, tiveram a experiência de fechar uma empresa no passado.

Bedoya criou o serviço Caronas.com, de caronas em viagens intermunicipais, que foi adquirido pelo fundo alemão Rocket Internet em 2014. A empresa mudou de nome, para Tripda, e foi encerrada, por decisão dos investidores, em 2016. Bedoya diz que o negócio crescia em número de usuários, mas havia dificuldades para definir como ganhar dinheiro com o modelo adotado.

A decisão de fechar foi frustrante para Bedoya, mas ele diz que a experiência de ter trabalhado com um grupo de investidores estrangeiros e agressivo nos negócios o fez mudar de patamar como administrador e permitiu liderar a Cabify em mercado altamente competitivo – a empresa disputa mercado com Uber e 99.

Já Guimarães fundou a Motonow, um aplicativo para chamada de motoboys, e obteve apoio da aceleradora ACE em 2013. Ele conta que seu negócio durou dois anos e vinha crescendo, mas teve de ser abandonado quando um investimento que estava combinado não se concretizou, o que desmotivou parte dos sócios.

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